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06/07/2015
Tal pai, tal filho

Matéria do O Tempo
PUBLICADO EM 05/07/15
RAFAEL ROCHA
ESPECIAL PARA O TEMPO


Ao entrar no requintado salão do restaurante Chalé Santhé, em Nova Lima, o cliente consegue ver na cozinha aberta um garoto cheio de desenvoltura em meio à pequena equipe de cozinheiros. Não é preciso receio nenhum em pedir qualquer prato do menu. O jovem Marcelo Santhé, de apenas 14 anos, se garante no preparo de entradas, sobremesas e até pratos principais. Apesar de sua pouca idade, seu pai e patrão, Fernando Baltazar, exige dele a mesma responsabilidade e compromisso dos demais funcionários. “Estou na cozinha todos os dias de funcionamento da casa, de quarta a sábado”, diz o cozinheiro. Fã de Alex Atala e do estrelado chef francês Joël Robuchon, Marcelo começou a comandar as panelas por acaso. Como ele ficava no caixa, quando seu pai decidiu que mudaria o restaurante de endereço e extinguiria a função, o garoto ficou apreensivo. “O Marcelo virou pra mim e disse: ‘Pô, pai, eu vou perder meu emprego?”, relembra Fernando. Após dar uma saída, Fernando voltou para o restaurante e encontrou seu filho, já de dólmã, mexendo na cozinha. “Meu pai me disse que aquilo não era brincadeira, mas eu assumi essa responsabilidade”, relembra Marcelo. O jovem parece ter entendido a lição do mestre. “Atualmente ele é melhor na faca do que eu”, revela o pai coruja. Prestes a completar três anos de experiência no restaurante, o adolescente já consegue expedir quase todo o menu da casa. Sua especialidade são as sobremesas, e, por isso, sua receita predileta é um creme de avelã com frutas vermelhas, chantili de baunilha e raspas de chocolate. “Agora preciso aprender a fazer os pratos novos do cardápio”. A paixão pela gastronomia pegou o garoto de tal jeito que ele já investe em seu futuro. Obstinado, há um ano, Marcelo frequenta aulas de francês, que concilia com suas aulas do 9º ano no colégio. “Quero continuar no ramo e ir estudar na França, que tem muita história na gastronomia”, comenta. Casos como o de Marcelo nem são tão raros assim. Nas aulas de culinária para crianças ministradas no bairro Palmeiras pela professora Carol Haddad, vira e mexe ela percebe que alguma das crianças leva jeito para a coisa. “Em crianças que cresceram no meio de gastronomia, a gente percebe que aquilo passou de pai para filho, e elas realmente acabam tendo predileção maior para a atividade”, diz.